Cetesb avalia 175 pontos ao longo da costa toda semana e mostra que Baixada Santista costuma liderar as reprovações. Veja o que muda a classificação de uma praia.
Quem mora ou visita o litoral de São Paulo já deve ter reparado nas bandeiras verdes e vermelhas espalhadas pela areia. Elas não são só um detalhe visual: indicam se aquele trecho está liberado ou não para banho, com base em um trabalho técnico que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realiza há décadas. A cada semana, o órgão publica um novo boletim de balneabilidade, e é comum que cidades da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Praia Grande, apareçam entre as que mais concentram praias impróprias, segundo dados já divulgados pela Agência Brasil.
Como a Cetesb decide se uma praia está própria ou não
O critério técnico usado pela Cetesb segue a Resolução nº 274/2000 do Conama, que estabelece limites para a presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal, principalmente os enterococos. Todos os domingos, equipes técnicas percorrem o litoral e coletam amostras de água em 175 pontos, que juntos cobrem 151 praias distribuídas por 16 municípios costeiros do estado. Uma praia só é considerada própria quando, nas últimas cinco semanas de análise, pelo menos 80% dos resultados ficam dentro do limite seguro estabelecido pela legislação.
Quando os índices ultrapassam esse teto, a praia recebe a sinalização vermelha e passa a ser classificada como imprópria, o que significa risco real à saúde de quem entra na água. Segundo explica Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb, a aparência da água muitas vezes engana quem está na praia, já que a contaminação não é visível a olho nu, e por isso o monitoramento constante é a única forma confiável de orientar banhistas e gestores públicos.
Por que a Baixada Santista costuma liderar as reprovações
A concentração de praias impróprias em municípios como Santos, São Vicente e Praia Grande não é coincidência. Essas cidades reúnem a maior densidade populacional do litoral paulista e ficam mais próximas da capital, recebendo grande volume de turistas em feriados e períodos de férias. Isso sobrecarrega redes de esgoto que, em vários pontos, ainda não têm capacidade suficiente para lidar com o aumento repentino de pessoas, o que favorece o despejo irregular de efluentes no mar e eleva os índices de contaminação.
Já no Litoral Norte, cidades como São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba costumam apresentar números bem menores de praias reprovadas, embora nenhuma região do estado esteja totalmente livre de oscilações. Fatores como chuvas fortes, proliferação de algas e até vazamentos pontuais de óleo também podem tornar uma praia temporariamente imprópria, mesmo em locais historicamente bem avaliados.
O que fazer diante da bandeira vermelha
Para quem está de férias ou mora na região, a orientação da própria Cetesb é simples: respeitar a sinalização instalada na areia e, sempre que possível, consultar o boletim atualizado antes de sair de casa, seja pelo site do órgão, seja por aplicativos que reúnem essas informações. A recomendação vale especialmente após temporais, já que a chuva costuma carregar esgoto e resíduos urbanos direto para o mar, aumentando temporariamente o risco em praias que normalmente estariam liberadas.
Entrar em contato com água contaminada por enterococos pode causar infecções gastrointestinais, problemas de pele e complicações respiratórias, principalmente em crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico mais sensível. Por isso, o hábito de checar o boletim semanal antes de ir à praia tem se tornado parte da rotina de quem vive no litoral, assim como olhar a previsão do tempo.
O boletim completo, com a situação praia a praia, pode ser consultado diretamente no site da Cetesb, que também disponibiliza um mapa interativo atualizado semanalmente.
Fontes:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/sp-praias-perto-da-capital-tem-piores-condicoes-de-balneabilidade
https://cetesb.sp.gov.br/praias/programa-de-monitoramento/
https://www.cetesb.sp.gov.br/cetesb/qualidade_ambiental/agua/praias_litoraneas

