PG Tech 2026 começa nesta quinta-feira com programação que conecta inovação, turismo, sustentabilidade e soluções para cidades costeiras.
Praia Grande, no litoral de São Paulo, será palco de uma programação que aproxima tecnologia e vida à beira-mar. A partir desta quinta-feira, 24 de setembro, o PG Tech 2026 reúne tecnologia, educação, inovação, negócios e desenvolvimento urbano no Kartódromo Municipal, com atividades previstas até domingo, dia 27. O evento chama atenção para uma questão cada vez mais presente nos destinos turísticos: como usar ferramentas digitais para melhorar a experiência de quem visita uma cidade de praia sem deixar de lado sustentabilidade e planejamento. Entre os espaços previstos está uma área dedicada especificamente à inovação no turismo, além de uma programação relacionada à inovação portuária. Para quem acompanha o litoral brasileiro, a novidade é interessante porque mostra como cidades costeiras estão tentando incorporar tecnologia à rotina de moradores, visitantes e empresas.
Como a tecnologia pode mudar a experiência de quem visita uma cidade de praia
O PG Tech 2026 foi estruturado para reunir diferentes áreas relacionadas à inovação, e o turismo aparece como um dos eixos conectados diretamente à realidade de Praia Grande. Segundo a organização, o evento terá mais de 8 mil metros quadrados, quatro dias de programação e 16 espaços temáticos, reunindo empresas, universidades, startups, especialistas e público geral. Entre esses ambientes está o espaço “Inovação no Turismo”, criado para apresentar soluções tecnológicas voltadas à experiência turística e ao fortalecimento de Praia Grande como destino inteligente. A proposta acompanha uma transformação que já pode ser percebida em várias cidades litorâneas, onde aplicativos, mapas digitais, sistemas de informação e plataformas de serviços passaram a fazer parte da jornada do visitante.
Na prática, turismo inteligente não significa apenas colocar mais tecnologia em uma cidade. A ideia envolve utilizar informações para entender melhor o fluxo de visitantes, organizar serviços e facilitar o acesso a dados úteis para quem está viajando. Uma praia movimentada, por exemplo, pode demandar soluções diferentes de uma área de preservação ou de um bairro residencial próximo à orla. Dados sobre mobilidade, serviços, pontos turísticos e condições ambientais podem ajudar gestores a identificar necessidades e planejar melhor a infraestrutura. Para o turista, o resultado esperado é uma experiência mais organizada, com informações acessíveis antes e durante a viagem. Para moradores, a tecnologia pode contribuir para que o crescimento do turismo seja acompanhado por planejamento urbano e melhor utilização dos serviços públicos.
Esse movimento também se relaciona com uma tendência maior no litoral brasileiro: a digitalização das informações ambientais. Em São Paulo, a CETESB disponibiliza pela internet dados de balneabilidade das praias, permitindo consultar a situação de diferentes pontos monitorados. A plataforma apresenta informações por município e praia, transformando um dado técnico de qualidade da água em uma informação que pode ser consultada pelo próprio banhista antes do passeio. Em 22 de setembro, por exemplo, o sistema apresentava dados atualizados para diversos pontos de Ubatuba.
O que Praia Grande quer mostrar com inovação no turismo
A escolha de Praia Grande para receber uma programação desse tamanho também coloca em evidência a relação entre tecnologia e cidades costeiras densamente ocupadas. Destinos de praia precisam lidar simultaneamente com moradores permanentes, visitantes, comércio, mobilidade, preservação ambiental e atividades ligadas ao mar. Quando essas áreas passam a utilizar dados e sistemas digitais de maneira integrada, abre-se espaço para planejar serviços considerando não apenas a rotina da população local, mas também as variações provocadas pela temporada turística. O conceito de cidade inteligente, portanto, pode ter uma aplicação bastante concreta no litoral: utilizar informações para melhorar aquilo que o visitante encontra quando chega à praia. O próprio PG Tech inclui um espaço chamado “PG City”, com ativações e pontos de retransmissão espalhados pela cidade, aproximando a programação da população.
Outro destaque da programação é o Hacka Vister Tur, previsto para 24 de setembro dentro do PG Tech. A atividade reúne estudantes das Etecs e do Instituto Federal de Cubatão ligados a áreas como Hospitalidade e Turismo para trabalhar sobre problemas reais relacionados ao turismo e à economia local. A proposta é que as equipes investiguem desafios, desenvolvam ideias, criem protótipos e apresentem soluções. Esse formato chama atenção porque coloca jovens diante de questões que fazem parte do cotidiano das cidades turísticas, em vez de tratar tecnologia apenas como uma área distante da realidade. O evento também mostra que inovação turística pode envolver educação, empreendedorismo e participação local, além de ferramentas digitais prontas.
A programação ainda inclui o Port Tech Space, dedicado à inovação portuária, outro tema diretamente conectado à Baixada Santista e ao litoral paulista. O setor portuário brasileiro vem passando por uma transformação digital que utiliza sensores, automação, integração de dados e sistemas de monitoramento para tornar operações mais conectadas. O Ministério de Portos e Aeroportos explica que o conceito de Porto 4.0 busca integrar tecnologias digitais à atividade portuária para ampliar eficiência, segurança e planejamento. Entre as ferramentas citadas pelo governo estão sistemas de monitoramento de embarcações, plataformas de integração e até representações digitais de estruturas e operações.
O que isso significa para o futuro das cidades litorâneas
A aproximação entre tecnologia e turismo ganha importância porque os desafios do litoral vão muito além de receber visitantes. Uma cidade costeira precisa equilibrar atividades econômicas, preservação ambiental, circulação de pessoas e proteção dos espaços naturais. A tecnologia pode ajudar a organizar parte dessas demandas quando utilizada em conjunto com dados confiáveis e planejamento público. Sistemas digitais podem facilitar o acesso a informações ambientais, melhorar a comunicação com visitantes e apoiar decisões relacionadas à mobilidade e infraestrutura. No caso das praias, isso também pode significar uma conexão mais rápida entre os dados produzidos por órgãos ambientais e aquilo que o turista realmente precisa saber.
A balneabilidade é um exemplo simples dessa mudança. Na Bahia, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos mantém boletins semanais sobre a qualidade das praias e disponibiliza informações por meio de plataformas digitais, inclusive com o aplicativo “Vai Dar Praia”. O sistema permite que o público consulte a classificação das áreas monitoradas e tenha acesso às informações mais recentes sobre a qualidade da água. Esse modelo mostra como uma informação técnica pode ganhar utilidade direta para quem planeja um dia de mar.
Para o litoral brasileiro, iniciativas como a de Praia Grande também levantam uma questão importante: tecnologia não precisa afastar a cidade de sua identidade costeira. Pelo contrário, quando aplicada ao turismo, à sustentabilidade e à gestão urbana, ela pode ajudar a preservar justamente aquilo que atrai visitantes. Uma praia continua sendo uma praia, mas o modo de conhecer, monitorar e administrar esse espaço pode mudar bastante. O desafio está em garantir que inovação seja acompanhada por planejamento, transparência e cuidado ambiental.
O PG Tech 2026 ocorre em um momento em que cidades brasileiras buscam novas formas de utilizar dados e ferramentas digitais para lidar com desafios urbanos. Para quem vive ou passa pelo litoral paulista, a programação oferece uma oportunidade de observar como conceitos como cidade inteligente, turismo conectado e inovação portuária estão deixando de ser apenas termos ligados ao setor de tecnologia. Eles começam a fazer parte da discussão sobre o futuro das cidades de praia. E, para o amante do litoral, essa transformação pode ter um efeito bastante concreto: informações mais acessíveis, serviços mais conectados e destinos preparados para receber visitantes sem perder de vista a importância de preservar o ambiente costeiro.
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