Poucos setores dependem tanto de infraestrutura quanto o agronegócio brasileiro, retrata Wander Aguilera Almeida, facilitador de negócios no setor agrícola, e é justamente nesse ponto que muitas negociações de grãos perdem rentabilidade antes mesmo de chegar ao comprador final. Antes de discutir preço ou demanda, é preciso entender como o grão sai da lavoura e chega até o destino final, porque é nesse trajeto que parte significativa da margem se perde ou se preserva.
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Qual é o real impacto da logística no preço final dos grãos?
O preço pago ao produtor não reflete apenas a cotação da soja, do milho ou do café no mercado internacional. Ele incorpora também o custo de transportar essa produção até portos, armazéns ou indústrias de processamento. Em regiões mais distantes dos polos de exportação, esse custo pode comer uma parte relevante do valor da venda, reduzindo o ganho líquido de quem produziu o grão. Wander Aguilera Almeida costuma explicar essa relação a produtores menos familiarizados com o tema, mostrando como o frete funciona como uma variável tão decisiva quanto o próprio preço de mercado.
Calcular esse custo com precisão exige conhecimento de rotas, sazonalidade de fretes e disponibilidade de transporte em cada região. Produtores que negociam sem considerar esse fator correm o risco de fechar contratos aparentemente vantajosos, mas que se tornam menos rentáveis depois de descontado o valor da logística.
Por que o Brasil ainda depende tanto de rodovias?
A malha rodoviária brasileira carrega historicamente o peso de escoar a maior parte da safra nacional. Diferente de países como Estados Unidos e Argentina, que utilizam hidrovias e ferrovias de forma mais intensa, o Brasil construiu sua estrutura logística majoritariamente em torno de estradas. Picos de safra, especialmente em janeiro e fevereiro, sobrecarregam rodovias já desgastadas, gerando filas em terminais portuários e aumentando o tempo de espera para descarregar a produção.
Um modelo como esse gera custos adicionais que se acumulam ao longo da cadeia: combustível, manutenção de veículos, pedágios e perdas por deterioração em caso de atrasos prolongados. Sob a ótica de quem acompanha negociações de perto, esse conjunto de fatores torna a escolha do momento certo de transporte tão estratégica quanto a escolha do comprador.
O que mudou com os investimentos em ferrovias e hidrovias?
Nos últimos anos, parte da pressão sobre as estradas começou a ser aliviada por novos corredores logísticos. Trechos ferroviários voltados ao escoamento de grãos no Centro-Oeste, ainda que distantes da conclusão total, já permitem que parte da produção evite longos trajetos rodoviários. Hidrovias na região Norte também ganharam relevância, sobretudo para produtores que antes dependiam exclusivamente de caminhões para alcançar os portos, observa Wander Aguilera Almeida.

Como pondera quem trabalha com intermediação no dia a dia, esses avanços ainda não resolvem o problema por completo, mas já criam alternativas que reduzem custo e tempo de viagem em algumas regiões. A combinação entre diferentes modais de transporte tende a se tornar cada vez mais comum, especialmente entre produtores que conseguem planejar a colheita com antecedência suficiente para aproveitar essas rotas.
Como o intermediador ajuda a reduzir esse impacto?
Conhecer alternativas de transporte, prazos de cada rota e sazonalidade de fretes faz parte do trabalho de quem atua na intermediação de grãos. A Agroforte orienta produtores sobre quando vender, mas também sobre como vender, considerando o trajeto que a produção vai percorrer até chegar ao comprador final. Como empresário do agronegócio, Wander Aguilera Almeida pondera que negociações bem-sucedidas dependem tanto da leitura do mercado quanto da leitura da logística disponível em cada região.
Em algumas situações, pequenos ajustes no cronograma de venda, alinhados a períodos de menor congestionamento logístico, fazem diferença real no resultado final do negócio. Produtores que contam com esse tipo de orientação tendem a reduzir perdas que muitas vezes passam despercebidas até o fechamento da venda.
Existe alguma estratégia para reduzir esses riscos?
Armazenagem própria, parcerias com cooperativas e diversificação de rotas de transporte aparecem entre as estratégias mais utilizadas por produtores que buscam reduzir a dependência de um único modal logístico. Guardar parte da colheita, quando viável, oferece mais liberdade para esperar condições de transporte mais favoráveis, sem abrir mão de um bom preço de venda.
Wander Aguilera Almeida sugere que o planejamento logístico deveria começar antes mesmo do plantio, e não apenas próximo da colheita. Antecipar essa etapa do processo amplia as opções disponíveis no momento da negociação e reduz a pressão sobre decisões tomadas em cima da hora.
O escoamento de grãos seguirá sendo um dos pontos mais sensíveis do agronegócio brasileiro enquanto a infraestrutura nacional não acompanhar plenamente o ritmo de crescimento da produção. Até esse cenário se consolidar, conhecer rotas, prazos e alternativas de transporte continuará sendo parte essencial do trabalho de quem intermedia negócios entre produtores e compradores no setor de grãos.

