Portão instalado em via de acesso à praia deverá ser retirado; entenda o que a decisão significa para turistas e moradores.
Uma das praias mais conhecidas de Bombinhas, no litoral de Santa Catarina, voltou ao centro das atenções nesta semana por um motivo que interessa diretamente a quem gosta de viajar para o mar: o acesso público à Praia da Sepultura. Uma decisão judicial determinou a retirada de um portão instalado na Rua Chicharro, caminho que liga a Avenida das Garoupas à praia, após uma ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A determinação estabelece prazo de até 30 dias para a remoção do obstáculo e prevê multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil, caso a ordem não seja cumprida. (MPSC)
O caso chama atenção porque vai além de uma disputa localizada em Bombinhas. Para o turista, a situação levanta uma dúvida muito comum: afinal, uma praia brasileira pode ter seu acesso bloqueado por particulares? A legislação federal estabelece que as praias são bens públicos de uso comum do povo e garante o livre acesso ao mar, salvo exceções previstas em lei. (Presidência da República)
O que aconteceu na Praia da Sepultura e por que o acesso virou questão de interesse público
Segundo o MPSC, o portão foi instalado por particulares na Rua Chicharro, uma via com aproximadamente 315 metros de extensão que conduz até a Praia da Sepultura. A estrutura tinha cadeado e, conforme relatado ao Ministério Público, as chaves ficavam sob controle de particulares, dificultando ou impedindo a passagem de pedestres e veículos. O órgão informou que tentou solucionar a situação administrativamente antes de recorrer à Justiça, mas o obstáculo permaneceu. (MPSC)
A decisão judicial determinou que o Município de Bombinhas retire não apenas o portão, mas também eventual cadeado, cancela, cerca ou qualquer outro obstáculo físico que restrinja o trânsito pela área correspondente à Rua Chicharro. O objetivo é assegurar o acesso público à via e, consequentemente, à Praia da Sepultura. A medida é especialmente relevante para um destino turístico conhecido pelas águas claras e pelo cenário natural, onde o acesso à praia faz parte da própria experiência de quem visita Bombinhas. (MPSC)
A regra não surgiu especificamente por causa desse episódio. A Lei Federal nº 7.661/1988, que instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, determina que as praias são bens públicos de uso comum do povo e assegura livre e franco acesso a elas e ao mar. O próprio Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos explica que as áreas litorâneas não podem ser simplesmente fechadas para impedir que cidadãos cheguem ao mar. (Presidência da República)
Esse princípio também aparece nas orientações do ICMBio para áreas costeiras protegidas. Ao tratar da APA de Cairuçu, por exemplo, o instituto informa que as praias são públicas e podem ser visitadas, observadas as exceções previstas para áreas protegidas por legislação específica. A existência de regras ambientais especiais não elimina a importância do acesso público; ela mostra justamente que turismo, conservação e ordenamento precisam caminhar juntos. (Serviços e Informações do Brasil)
O que o turista precisa saber antes de visitar praias como a Sepultura
Para quem está planejando uma viagem a Bombinhas, o episódio serve como lembrete de que conhecer uma praia vai muito além de pesquisar fotos bonitas nas redes sociais. É importante verificar previamente as condições de acesso, eventuais regras municipais, estacionamento, horários de circulação e orientações ambientais. Em áreas costeiras muito procuradas, essas informações podem fazer diferença para evitar deslocamentos desnecessários e também para preservar ambientes que recebem grande quantidade de visitantes.
Outro cuidado essencial é observar as condições do mar e da água. Embora a Praia da Sepultura esteja em Santa Catarina e não faça parte do monitoramento da CETESB, o trabalho realizado pela companhia no litoral paulista ajuda a entender por que a balneabilidade é uma informação tão importante para qualquer roteiro de praia. A CETESB mantém monitoramento semanal das praias paulistas e disponibiliza ao público a classificação dos pontos próprios e impróprios para banho. (CETESB)
A recomendação também vale para outros destinos do litoral brasileiro: depois de chuvas fortes, o turista deve redobrar a atenção com a qualidade da água. Em seus boletins, a CETESB orienta evitar o banho de mar por até 24 horas após temporais, porque o escoamento superficial pode carregar poluentes para rios e praias. Mesmo quando uma praia costuma apresentar boas condições, a situação pode mudar temporariamente depois de uma chuva intensa. (CETESB)
Também é importante respeitar placas, áreas de preservação, trilhas sinalizadas e orientações dos órgãos ambientais. O ICMBio destaca que praias situadas dentro de determinadas unidades de conservação podem estar sujeitas a regras específicas de visitação, principalmente quando se trata de áreas de proteção integral. Por isso, o direito geral de acesso às praias não significa que todos os ambientes costeiros possam ser utilizados de qualquer maneira ou sem observar normas de conservação. (Serviços e Informações do Brasil)
Por que o caso de Bombinhas interessa a todo o litoral brasileiro
O episódio da Praia da Sepultura ajuda a colocar em evidência um dos grandes desafios das cidades costeiras brasileiras: equilibrar turismo, moradia, preservação ambiental e direito de acesso à orla. O litoral brasileiro tem mais de 48 mil quilômetros de extensão e reúne centenas de municípios costeiros, além de praias, dunas, restingas, manguezais, ilhas e outros ambientes naturais. Segundo o Ministério da Gestão, essa diversidade faz da costa um território rico, mas também bastante frágil e sujeito a diferentes pressões de uso. (Serviços e Informações do Brasil)
Para o turismo, garantir acesso organizado é fundamental. Uma praia pode ser famosa pela paisagem, pelas águas tranquilas, pelo mergulho ou pela possibilidade de observar a vida marinha, mas precisa contar também com planejamento urbano e ambiental que permita a chegada dos visitantes sem comprometer a natureza. A própria legislação de gerenciamento costeiro inclui turismo, recreação e lazer entre os aspectos que devem ser considerados no planejamento da Zona Costeira. (Presidência da República)
O caso catarinense também mostra por que moradores e turistas devem prestar atenção às condições de acesso e comunicar possíveis irregularidades aos órgãos responsáveis. A existência de uma via pública até uma praia não deve ser tratada apenas como uma questão de comodidade turística, mas como parte do ordenamento da cidade e da utilização democrática da orla. Em destinos muito procurados, acessos bem planejados ajudam a distribuir o fluxo de pessoas, reduzir conflitos e organizar melhor serviços como limpeza, mobilidade e segurança.
Ao mesmo tempo, acesso público não significa ausência de responsabilidade. Quem chega à praia também precisa fazer a sua parte: não deixar resíduos na areia, respeitar a fauna e a vegetação, evitar áreas interditadas, seguir orientações de segurança e não ultrapassar limites estabelecidos para proteger ambientes sensíveis. O futuro do turismo de praia depende justamente dessa combinação entre acesso, planejamento e conservação.
A Praia da Sepultura, em Bombinhas, portanto, aparece nesta semana como um exemplo de uma discussão que ultrapassa os limites de Santa Catarina. Para quem ama o litoral, a principal mensagem é simples: praias são espaços de lazer, natureza e convivência, mas seu uso precisa respeitar regras públicas e ambientais. Antes de colocar o pé na areia, vale conferir as condições de acesso e as orientações locais; durante a visita, preservar o ambiente é parte da experiência. Em um país com uma costa tão extensa e diversa, garantir que as praias continuem acessíveis e bem cuidadas é também garantir que futuras gerações possam aproveitar o mar.
Fontes:
- Ministério Público de Santa Catarina — decisão sobre o acesso à Praia da Sepultura
- Lei nº 7.661/1988 — Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro
- Ministério da Gestão — Gestão de Praias e acesso ao litoral
- ICMBio — praias públicas na APA de Cairuçu
- CETESB — Balneabilidade das praias
- CETESB — orientações após chuvas fortes

