Praias da Bahia, de Alagoas, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de São Paulo receberam, ao longo de setembro de 2026, mutirões de limpeza organizados pela Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar). As atividades reuniram moradores, estudantes, organizações ambientais, gestores públicos e outros voluntários em ações de coleta, triagem, pesagem e registro dos resíduos encontrados na faixa litorânea.
Divulgada em 19 de setembro pela Agência Brasil, a programação ocorreu entre os dias 13 e 28 do mês. A mobilização passou por localidades como Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Prado e Mucuri, na Bahia; Maceió, em Alagoas; Barreiros, em Pernambuco; Macaé e Rio de Janeiro, no estado fluminense; e São Sebastião, no litoral paulista.
Além de retirar materiais da areia, os mutirões têm uma função de educação ambiental e ciência cidadã. Os resíduos são separados, identificados, contabilizados e pesados, formando um conjunto de informações que pode ajudar a reconhecer padrões de descarte. Esses registros também servem de apoio a pesquisas, campanhas educativas e políticas públicas voltadas à conservação dos oceanos.
Resultados mostram dimensão do problema
Os dados consolidados das ações realizadas em 2025 ajudam a dimensionar o desafio. Naquele ano, a rede envolveu 1.813 pessoas, percorreu 28 quilômetros de faixa litorânea e retirou 4,7 toneladas de resíduos. Ao todo, mais de 32 mil itens foram registrados durante as atividades realizadas nas praias.
O plástico representou 51% dos objetos catalogados e correspondeu a 36,6% do peso total coletado. A presença predominante desse material evidencia como embalagens, garrafas e produtos descartáveis permanecem entre os principais resíduos encontrados no litoral. O levantamento também permite observar diferenças entre as praias e identificar materiais associados a hábitos de consumo e formas de descarte.
A primeira ação de 2026 mencionada na programação ocorreu em 13 de setembro, em Prado, no extremo sul da Bahia. Em uma hora de trabalho, 87 voluntários retiraram 418 quilos de resíduos de um trecho de dois quilômetros. A equipe identificou 3.337 itens, entre garrafas PET, embalagens de alimentos e outros materiais plásticos descartáveis.
Resíduos revelam origens diversas
O material encontrado nas praias não tem necessariamente uma única origem. Parte dos resíduos pode estar relacionada ao descarte irregular feito em áreas urbanas ou diretamente na areia. Outros objetos são transportados por correntes marítimas e ventos, alcançando diferentes pontos do litoral brasileiro.
Entre os itens recolhidos em praias participantes estavam garrafas com rótulos estrangeiros, objetos de uso doméstico e fardos de borracha associados a naufrágios ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. A variedade mostra que a poluição marinha resulta de processos distintos e pode reunir materiais descartados recentemente e objetos que permaneceram por longos períodos no ambiente.
Por isso, os mutirões de limpeza de praias não devem ser vistos apenas como ações pontuais de retirada de lixo. A coleta reduz a presença de resíduos em áreas frequentadas por moradores, turistas e pescadores, mas a triagem também produz evidências sobre o tipo de material que chega ao litoral e sobre os possíveis caminhos percorridos por esses objetos.
Mobilização envolve comunidades costeiras
A participação de diferentes grupos amplia o alcance das atividades. Ao lado de organizações ambientais, estudantes e moradores têm contato direto com os impactos do descarte de resíduos e com a necessidade de preservar praias, manguezais, áreas de restinga e ecossistemas marinhos. Gestores públicos também podem utilizar os registros para orientar iniciativas locais de prevenção e limpeza.
A Rede Biomar reúne projetos voltados à conservação de espécies e ecossistemas marinhos. Conforme informações institucionais da Petrobras, a iniciativa conta com apoio do Programa Petrobras Socioambiental. A empresa aparece como apoiadora, enquanto a execução das ações e o trabalho de campo ficam associados à rede, aos parceiros locais e aos voluntários.
A mobilização em cinco estados também evidencia que a poluição marinha é um problema compartilhado por diferentes cidades costeiras. Embora cada praia tenha características próprias, a presença recorrente de plásticos e embalagens reforça a importância de combinar limpeza, educação ambiental, redução do consumo de descartáveis e melhoria das práticas de descarte.
Com atividades realizadas até 28 de setembro, na Praia da Barra do Sahy, em São Sebastião, a programação de 2026 ampliou a coleta de dados sobre os resíduos encontrados no litoral. O trabalho voluntário não substitui políticas permanentes de gestão de resíduos, mas contribui para tornar o problema visível e fornecer informações para ações de conservação marinha.
A mobilização também foi confirmada pelo SBT News. Ao reunir limpeza, participação comunitária e registro científico dos materiais, os mutirões transformam a observação cotidiana da poluição em dados que podem apoiar decisões para proteger o litoral brasileiro.

