Assim como já existe previsão do tempo, cientistas e empresas de tecnologia vêm desenvolvendo sistemas capazes de estimar a probabilidade de presença de tubarões em determinados trechos da costa.
A ideia não é eliminar os animais do ambiente marinho, mas oferecer informações que ajudem banhistas e gestores de praias a tomar decisões mais seguras antes de entrar no mar.
Como funciona o monitoramento
O sistema combina drones, sensores, câmeras de alta resolução, inteligência artificial e dispositivos de rastreamento capazes de registrar a localização de animais previamente identificados. Equipamentos instalados na costa e no oceano coletam informações de forma contínua, permitindo que pesquisadores acompanhem padrões de deslocamento das espécies ao longo do tempo.
Uma das técnicas mais usadas envolve a instalação de chips em tubarões, que passam a ser rastreados via satélite. Quando um animal equipado com o dispositivo se aproxima de uma praia monitorada, boias inteligentes captam o sinal e enviam um aviso tanto para aplicativos de celular quanto diretamente para as equipes de salva-vidas presentes na areia.
Drones e sonar reforçam a identificação
Além do rastreamento por satélite, drones sobrevoam a faixa de praia em busca de manchas escuras na água que possam indicar a presença de um tubarão. Quando isso acontece, um sonar auxilia na confirmação da espécie, permitindo acionar um alerta em tempo real antes que o animal se aproxime de áreas com banhistas.
Métodos convencionais de proteção, como redes físicas instaladas no mar, vêm sendo cada vez mais questionados por seu impacto ambiental, já que costumam capturar espécies que não representam risco, incluindo tartarugas e golfinhos. Como alternativa, ganham espaço as barreiras eletrônicas, que criam um campo eletromagnético na água capaz de causar desconforto sensorial nos tubarões e afastá-los sem causar ferimentos.
O que motivou o avanço dessas tecnologias
O interesse por soluções desse tipo cresceu depois de uma sequência de ataques registrados no litoral de Pernambuco em junho de 2026, quando dois incidentes em menos de 48 horas deixaram feridos um menino na Praia de Piedade e uma jovem na Praia de Boa Viagem. A região soma 84 registros de ataques desde 1992, sendo Boa Viagem a praia com maior número de ocorrências.
Embora o histórico de incidentes com tubarões no litoral de São Paulo seja bem menor do que o registrado em Pernambuco, cidades costeiras do estado já investem em tecnologia de monitoramento ambiental das praias, como boias equipadas para acompanhar a qualidade da água em tempo real. A expansão de sistemas semelhantes voltados à segurança contra tubarões surge como possibilidade natural para regiões que recebem grande fluxo de banhistas durante o verão.
Benefícios para conservação e turismo
Para especialistas, a vantagem desse tipo de monitoramento está em equilibrar dois interesses que muitas vezes parecem opostos: a segurança de quem frequenta o mar e a preservação de espécies que cumprem papel importante no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Ao evitar métodos letais de afastamento, cidades litorâneas conseguem manter o turismo de praia sem comprometer a fauna local.
Apesar do avanço tecnológico, a implantação desses sistemas ainda depende de investimento público e articulação entre prefeituras, órgãos ambientais e centros de pesquisa. O custo de instalação de boias inteligentes, sensores e equipamentos de rastreamento por satélite costuma ser elevado, o que limita, por ora, a adoção em larga escala nas praias brasileiras.
Tendência para os próximos anos
Com o aperfeiçoamento da inteligência artificial aplicada ao monitoramento ambiental, a expectativa entre pesquisadores é que sistemas de previsão de tubarões se tornem mais acessíveis e comuns em praias de grande movimento, inclusive no litoral paulista, ampliando a segurança dos banhistas sem recorrer a métodos que prejudicam a vida marinha.
Fontes: correiobraziliense.com.br

