Nova fase do Verão no Clima começa antes do verão e busca transformar educação ambiental em política contínua nas cidades costeiras.
A política ambiental voltada ao litoral paulista ganhou uma nova frente nesta semana. O Governo de São Paulo apresentou, em 4 de agosto, durante a São Paulo Climate Week 2026, o novo formato do projeto Verão no Clima, que passa a atuar durante todo o ano com formação para professores e gestores escolares de 16 municípios costeiros. A iniciativa começa com encontros on-line quinzenais até novembro, abordando temas como cultura oceânica, sustentabilidade costeira, resíduos, economia circular, biodiversidade e mudanças climáticas.
A mudança chama atenção porque leva uma política que tradicionalmente ocupava as praias durante a temporada de verão para dentro das escolas. Para quem mora, trabalha ou passa férias no litoral, a proposta toca em questões muito práticas: lixo na areia, conservação da biodiversidade, mudanças no clima e preparação das cidades para os impactos ambientais. A dúvida que surge é como essa nova etapa pode influenciar o cotidiano das comunidades costeiras e, principalmente, a relação das próximas gerações com as praias.
Por que o Governo de SP mudou a estratégia para o litoral?
O novo formato do Verão no Clima representa uma mudança de estratégia na política ambiental paulista porque a educação deixa de ficar concentrada nos eventos realizados durante a temporada de praia. A proposta apresentada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) cria um ciclo permanente de formação para profissionais da educação dos municípios participantes. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, os encontros começaram em 5 de agosto e serão realizados quinzenalmente até novembro, preparando as redes de ensino para desenvolver atividades relacionadas à realidade ambiental de cada cidade.
Na prática, a política aproxima dois espaços que normalmente são tratados separadamente: a escola e o litoral. Uma aula sobre resíduos sólidos, por exemplo, pode partir de situações observadas na própria praia, enquanto temas como cultura oceânica e biodiversidade podem ajudar estudantes a entender por que manguezais, restingas, dunas e ambientes marinhos precisam ser preservados. A ideia anunciada pelo governo é justamente oferecer aos educadores ferramentas para trabalhar esses assuntos de maneira interdisciplinar e contextualizada.
A escolha dos 16 municípios também revela a dimensão territorial da iniciativa. A lista inclui Bertioga, Cananéia, Caraguatatuba, Cubatão, Guarujá, Iguape, Ilha Comprida, Ilhabela, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Sebastião, São Vicente e Ubatuba. São cidades com características diferentes, mas todas enfrentam desafios ligados à ocupação costeira, turismo, geração de resíduos, conservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.
Para o morador do litoral, a principal diferença pode aparecer justamente no longo prazo. Em vez de uma campanha que começa e termina com o verão, a política passa a trabalhar a formação de professores e gestores ao longo do ano. Isso cria a possibilidade de que os assuntos ambientais sejam incorporados ao cotidiano escolar e cheguem também às famílias, aos bairros e às comunidades que dependem diretamente da qualidade da costa.
O que muda para quem vive nas cidades litorâneas?
A nova etapa do projeto tem potencial para produzir efeitos que vão além da sala de aula. Quando uma política pública trabalha temas como resíduos, biodiversidade e mudanças climáticas com professores e estudantes, ela também cria oportunidades para discutir problemas que aparecem diariamente nas cidades costeiras. O lixo deixado nas praias, a preservação de áreas naturais e os efeitos de eventos climáticos extremos deixam de ser assuntos distantes e podem ser analisados a partir da realidade de cada município.
O governo informou que a formação contará com instituições e especialistas ligados à conservação e à educação ambiental, entre eles Fundação Florestal, Projeto Tamar, Instituto Lixo Zero, Unifesp, Instituto Oceanográfico da USP, Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático e outras organizações. A diversidade de parceiros permite abordar o litoral por diferentes ângulos, combinando ciência, educação, conservação, segurança e sustentabilidade.
Essa abordagem é relevante porque a costa brasileira reúne ambientes naturais extremamente diferentes. O planejamento ambiental precisa considerar praias urbanizadas, áreas de mangue, restingas, estuários, unidades de conservação e regiões sujeitas à pressão do turismo e da expansão urbana. O próprio planejamento ambiental federal destaca que a zona costeira brasileira reúne cerca de 10 mil quilômetros de costa e uma extensa área marítima, além de ecossistemas sensíveis às mudanças climáticas.
A política paulista também se conecta a uma preocupação já presente nos órgãos ambientais: transformar conservação em uma responsabilidade compartilhada. O Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo mantém entre suas pautas temas como gerenciamento costeiro, lixo no mar, serviços ambientais e proteção de áreas marinhas e costeiras. Essa estrutura mostra que a discussão sobre o litoral não depende apenas de ações emergenciais, mas envolve planejamento público permanente.
Para quem frequenta as praias, isso pode parecer abstrato, mas os resultados esperados são bastante concretos. Uma comunidade mais informada tende a reconhecer com maior facilidade os impactos do descarte inadequado de resíduos, a importância da biodiversidade e os riscos relacionados às mudanças no clima. Em cidades que recebem milhares de visitantes durante a alta temporada, esse conhecimento também pode ajudar a construir uma cultura de turismo mais responsável.
A formação de professores é apenas a primeira parte da nova estratégia. Depois do ciclo iniciado em agosto, o projeto deverá retornar às praias durante a temporada de verão, mantendo os tradicionais eventos de educação ambiental nos 16 municípios participantes. A proposta é conectar o aprendizado desenvolvido durante os meses anteriores com atividades presenciais voltadas a moradores e turistas.
O histórico da iniciativa ajuda a dimensionar o alcance dessa política. Na temporada 2025/2026, o Verão no Clima passou pelas 16 cidades, mobilizou aproximadamente 15 mil pessoas e promoveu mutirões que retiraram mais de três toneladas de resíduos de praias e áreas costeiras. O circuito também reuniu cerca de cinco mil participantes nas corridas e contou com 95 organizações parceiras e 105 artistas.
A próxima edição, portanto, pretende aproveitar uma estrutura já conhecida pelo público e acrescentar uma etapa de formação antes dos eventos de verão. Isso pode ser importante porque campanhas ambientais realizadas apenas na areia alcançam principalmente quem está presente naquele momento. Ao trabalhar com professores e estudantes durante meses, a política busca criar uma rede permanente de multiplicadores, capaz de levar as informações para dentro das comunidades.
Outro ponto importante é a relação com políticas de qualidade ambiental. A preservação das praias depende de vários fatores, entre eles saneamento, gestão de resíduos, conservação de ecossistemas e monitoramento das condições ambientais. Em São Paulo, a CETESB mantém programas de acompanhamento da qualidade das águas destinadas à recreação, informação essencial para quem utiliza as praias e para a gestão das cidades costeiras.
A política também conversa com uma agenda climática mais ampla. O Governo de São Paulo mantém o Prêmio SP Carbono Zero, que em 2026 inclui uma categoria específica para iniciativas de conservação, restauração e uso sustentável de ecossistemas costeiros e marinhos. O edital cita ambientes como manguezais, áreas úmidas, restingas, dunas, praias e áreas de preservação permanente entre os espaços contemplados.
Para o amante do mar, a novidade mais importante talvez seja justamente essa mudança de calendário: a educação ambiental do litoral não precisa esperar o verão. Ao começar a formação em agosto e manter atividades até novembro, o governo tenta criar uma ponte entre escolas, comunidades e políticas públicas antes que a temporada de maior movimento chegue às praias.
O desafio agora será transformar formação em prática cotidiana. Se professores, estudantes, moradores, turistas e gestores conseguirem incorporar hábitos de conservação à rotina, ações como limpeza das praias, redução de resíduos e valorização da biodiversidade podem deixar de ser apenas campanhas pontuais. No litoral, onde natureza, turismo e vida urbana convivem lado a lado, essa mudança pode fazer diferença para proteger as praias que movimentam a economia e fazem parte da identidade das comunidades costeiras.
Fontes:
- BS9 — Governo de SP leva formação ambiental a professores do litoral: principal fonte para o fato recente, com detalhes do novo formato do Verão no Clima, os 16 municípios participantes, calendário da formação e resultados da temporada 2025/2026.
BS9 — Verão no Clima 2026 - CETESB — Qualidade das águas: fonte oficial para informações sobre monitoramento das águas costeiras e balneabilidade das praias paulistas.
CETESB — Qualidade da Água - CETESB — Mapa da qualidade das praias: referência oficial para consulta das condições de banho nas praias do litoral de São Paulo.
CETESB — Mapa da Qualidade das Praias - ICMBio — Educação Ambiental: referência institucional para contextualizar a importância da educação ambiental, participação comunitária e conservação.
ICMBio — Educação Ambiental - Prefeitura de São Vicente: referência complementar sobre políticas municipais de educação ambiental e discussão dos impactos das mudanças climáticas em uma cidade do litoral paulista.
Prefeitura de São Vicente — Meio Ambiente e Clima

