Dados de satélite da NASA e rede de monitoramento nacional acendem alerta para cidades litorâneas
Um levantamento recente baseado em dados de satélite da NASA projeta um aumento de até 30 centímetros no nível do mar ao longo da costa brasileira nos próximos 25 anos. Entre as cidades apontadas como mais expostas a esse cenário está Santos, no litoral de São Paulo, cuja infraestrutura portuária e residencial na Baixada Santista já enfrenta marés extremas com frequência.
Como a elevação do mar é medida hoje
O monitoramento é feito com satélites de alta precisão, como o Sentinel-6 Michael Freilich, capazes de identificar variações milimétricas na superfície oceânica. Em 2025, o aumento global registrado foi de 0,08 centímetro, número temporariamente influenciado pelo fenômeno La Niña, mas a tendência de longo prazo segue de alta constante, impulsionada pelo degelo polar e pela expansão térmica das águas.
Além de Santos, o levantamento aponta Recife como a capital mais exposta do país, com quase metade de seu território sob risco de inundação e altitude média de apenas quatro metros. Fortaleza aparece com erosão acelerada na orla e aumento da salinidade nos rios locais, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta o desafio de bairros de baixa altitude somados à supressão de manguezais, que historicamente funcionavam como barreira natural contra o avanço da água salgada.
Rede nacional de monitoramento se expande
Para acompanhar esse cenário, o Brasil opera o SiMCosta, sistema de monitoramento coordenado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em parceria com a Marinha do Brasil. Até o fim de 2026, a rede deve contar com 18 estações maregráficas de alta precisão espalhadas pelo território nacional, transmitindo dados em tempo real via satélite. O foco atual das novas instalações está nas regiões Norte e Nordeste, que historicamente reuniam menos dados históricos para orientar o planejamento urbano das cidades costeiras.
Especialistas citados no levantamento destacam que a preservação de manguezais e restingas segue sendo a defesa natural mais barata contra o avanço do mar. Esses ecossistemas absorvem parte da energia das ondas e ajudam a conter a erosão do solo, funcionando como um amortecedor entre o oceano e as áreas urbanas construídas ao longo da orla.
O que está em jogo para as próximas décadas
O 6º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, projeta cenários bem distintos dependendo do volume de emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas. Caso o aquecimento global não seja contido, a elevação dos oceanos pode ultrapassar um metro até o fim do século, o que redesenharia boa parte do litoral brasileiro. Para cidades como Santos, isso reforça a necessidade de investimentos em obras de engenharia costeira, revisão de planos diretores e restrição a novas construções em áreas de risco, além do controle da extração de água subterrânea, apontado como um dos fatores que aceleram o afundamento do solo em regiões litorâneas.
Fontes:
- https://www.em.com.br/emfoco/2026/05/05/estudo-aponta-aumento-de-ate-30-cm-no-litoral-brasileiro-ate-2050-e-cidade-aparece-como-a-mais-vulneravel-em-2026/
- https://tribunahoje.com/index.php/noticias/ciencia-e-tecnologia/2026/05/17/185225-litoral-brasileiro-tera-um-aumento-do-nivel-do-mar-de-30-centimetros-ate-2050

