Muitas indústrias usam embalagens retornáveis para economizar, mas depois descobrem que elas estão quebradas em um canto do estoque. Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, chama atenção para essa contradição: a embalagem durável só gera economia quando alguém se responsabiliza por ela ao longo de todo o ciclo, e essa responsabilidade depende do modelo de gestão escolhido.
A discussão tende a concentrar-se no material e no formato da embalagem, contudo, negligencia uma questão igualmente relevante: a empresa deve possuir esse ativo ou apenas utilizá-lo? Caixas, pallets, mangas e divisórias retornáveis podem ser obtidas por meio de compra, aluguel ou contratação de serviços de manutenção. Cada uma dessas opções implica diferentes distribuições de custos e riscos.
A escolha afeta o caixa, a contabilidade, a rotina operacional e até a relação com clientes e fornecedores. Por conseguinte, deixou de ser uma decisão exclusiva da área de compras e passou a envolver finanças, logística e planejamento.
O que muda entre comprar e alugar?
A empresa, por sua vez, realiza o investimento inicial e passa a ser proprietária das embalagens. O custo por ciclo tende a ser menor ao longo do tempo, desde que o parque seja bem utilizado e tenha vida útil longa. Em contraposição, a gestão completa é responsabilidade da própria empresa, englobando o controle de inventário, reparos, reposição e descarte ao final do ciclo de vida do produto.
No que se refere ao investimento no aluguel, ele é substituído por pagamentos periódicos proporcionais ao uso, o que é mais vantajoso. Esse modelo prioriza a preservação de capital para outras necessidades e transfere ao fornecedor parte das responsabilidades, como a manutenção e a substituição de unidades danificadas.
Como mencionado por Elias Assum Sabbag Junior, a locação tende a ser uma opção viável em operações com demanda variável, contratos de duração definida ou projetos em fase de teste. Em tais circunstâncias, alocar capital em um parque próprio pode acarretar risco, uma vez que a demanda por embalagens pode se modificar antes que o investimento se liquide.
Além disso, há modelos de configuração intermediária. Os contratos de manutenção permitem que a empresa mantenha a propriedade das embalagens, enquanto terceiriza a inspeção, o reparo e a reposição, combinando a propriedade do ativo com o apoio especializado na gestão do ciclo de vida.

Critérios para escolher o modelo
A decisão entre comprar, alugar ou contratar manutenção depende de características da operação. Alguns critérios ajudam a orientar a análise:
- Previsibilidade da demanda: volumes estáveis ao longo do tempo favorecem a compra, enquanto demandas sazonais ou incertas tendem a favorecer a locação.
- Disponibilidade de capital: empresas que precisam preservar caixa para investimentos produtivos podem preferir pagamentos periódicos ao desembolso inicial.
- Capacidade de gestão interna: controlar inventário, inspeção e reparos exige estrutura; sem ela, a terceirização reduz perdas e retrabalho.
- Duração do fluxo: contratos longos e rotas permanentes diluem o investimento da compra, enquanto fluxos temporários tornam a locação mais racional.
- Grau de personalização: embalagens muito específicas para um produto tendem a ser compradas, já que dificilmente teriam uso em outras operações do fornecedor.
- Tratamento contábil e fiscal: a forma de registrar ativos e despesas varia entre os modelos e deve ser avaliada com a área financeira da empresa.
Na avaliação de Elias Assum Sabbag Junior, a capacidade de gestão interna é frequentemente subestimada. Muitas empresas calculam o retorno da compra considerando uma vida útil teórica. No entanto, não incluem na conta as perdas por extravio, os reparos não realizados e o tempo de equipe dedicado ao controle das embalagens.
Como preservar o controle patrimonial sem assumir a operação direta?
Em qualquer circunstância, o sistema retornável é passível de rastreamento. A partir do conhecimento das quantidades de embalagens em cada ponto da cadeia, do tempo de permanência com cada cliente e do número de retornos danificados, é possível manter o parque no tamanho adequado e evitar compras emergenciais.
Ao apontar que a identificação individual, os registros de movimentação e os acordos claros de devolução com clientes reduzem a dispersão das embalagens, Elias Assum Sabbag Junior demonstra domínio do tema. A ausência dessas práticas pode resultar na redução do parque próprio e do alugado ao longo do tempo, gerando custos não previstos.
A inspeção periódica complementa o controle. Embalagens com sinais de desgaste estrutural, divisórias quebradas ou superfícies danificadas devem ser retiradas de uso antes da próxima carga. O modelo de gestão define quem é responsável por essa triagem e pelo encaminhamento para a reciclagem.
Considerando que o material influencia o desempenho de cada modelo, Elias Assum Sabbag Junior inclui esse fator na comparação. Embalagens leves, laváveis e reparáveis, tais como as de plástico corrugado e os pallets plásticos, apresentam vida útil mais extensa quando submetidas a manutenção regular. Tal circunstância modifica o custo por ciclo, tanto para quem adquire quanto para quem aluga.
A embalagem como ativo, e não como compra
A opção por adquirir ou alugar embalagens retornáveis indica uma mudança na perspectiva acerca desse insumo. Quando a embalagem é submetida a um grande número de ciclos, deixa de atuar como insumo e passa a ter valor como ativo. Nesse momento, passa a ser contabilizado o custo de aquisição, de manutenção, de depreciação e de risco de perda.
Por conseguinte, a experiência de Elias Assum Sabbag Junior com embalagens plásticas demonstra que não há um modelo que seja universalmente vantajoso. A decisão mais adequada é aquela que alia o perfil da demanda à capacidade real da empresa de gerir o parque, e não àquela que aparenta ser mais econômica no primeiro orçamento.
Esse raciocínio desloca a questão inicial. Em vez de questionar o custo da embalagem, as empresas passam a se atentar para a gestão do produto ao longo de sua vida útil. A resposta a essa questão define se o sistema retornável de fato gerará a economia prometida.

