Levantamento do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) mostra que, entre janeiro e 16 de agosto de 2026, o litoral paulista registrou oitenta mortes por afogamento.
No mesmo intervalo, a corporação realizou 2.013 salvamentos e resgatou 3.141 pessoas ao longo da orla, um volume que reforça a importância da fiscalização e da orientação aos banhistas durante os meses de maior movimento nas praias.
Guarujá concentra o maior número de ocorrências
Guarujá, na Baixada Santista, aparece como o município com mais registros do período. Somente entre 30 de julho e 16 de agosto, o GBMar contabilizou 45 casos de afogamento na região, resultando em três mortes e 63 pessoas salvas. A cidade sozinha respondeu por 23 dessas ocorrências e 31 banhistas resgatados, número que supera qualquer outro ponto do litoral paulista no recorte analisado.
Ubatuba, no litoral norte, teve dez ocorrências e uma morte no mesmo intervalo de 30 de julho a 16 de agosto. São Sebastião registrou sete ocorrências e nove resgates, sem vítimas fatais. Já Praia Grande somou duas ocorrências, com quatro pessoas salvas e um óbito. Os números indicam que o risco não se concentra em um único trecho da costa, mas varia conforme a formação das correntes e a intensidade do mar em cada praia.
Por que o litoral paulista concentra tantos casos
A geografia da costa paulista favorece a formação de correntes de retorno, popularmente chamadas de valas, que puxam o banhista para longe da areia com rapidez e sem aviso claro. Praias com bancos de areia irregulares, como boa parte da Baixada Santista, costumam apresentar esse tipo de correnteza com mais frequência, o que ajuda a explicar por que cidades como Guarujá aparecem à frente nas estatísticas.
O GBMar recomenda que os banhistas respeitem a sinalização das praias, que costuma indicar áreas mais seguras para banho e trechos com correnteza forte. A orientação inclui observar as condições do mar antes de entrar na água, evitar áreas isoladas sem a presença de guarda-vidas e não subestimar dias de ressaca, quando as ondas ganham força mesmo sob céu aberto e aparência tranquila.
Crianças e idosos exigem atenção redobrada
Boa parte dos episódios registrados ao longo do verão e de feriados prolongados envolve crianças pequenas que se afastam dos responsáveis em poucos segundos. Manter contato visual constante, preferir trechos de praia com estrutura de salvamento e usar coletes ou boias apropriados para o mar aberto são medidas simples que ajudam a evitar boa parte das ocorrências registradas pela corporação.
Com o aumento do fluxo de turistas em datas de férias e feriados, o efetivo de guarda-vidas costuma ser reforçado nos principais pontos da orla. Ainda assim, a extensão do litoral paulista, que soma dezenas de quilômetros de praia entre o litoral norte e a Baixada Santista, torna impossível cobrir cada trecho com a mesma intensidade, o que reforça a necessidade de autocuidado por parte de quem frequenta o mar.
Números ajudam a planejar políticas públicas
Dados como os divulgados pelo GBMar servem de base para prefeituras e órgãos estaduais organizarem campanhas de conscientização e definirem onde concentrar recursos de salvamento. A comparação entre municípios também ajuda a identificar praias que exigem sinalização adicional ou reforço no número de postos de guarda-vidas nos próximos meses.
Com a proximidade do verão, período historicamente associado ao maior fluxo de banhistas, a expectativa é de que o número de ocorrências continue subindo até o fechamento do balanço anual. Órgãos de segurança da Baixada Santista e do litoral norte já sinalizam a intenção de intensificar campanhas educativas nas praias mais procuradas, especialmente aquelas com histórico recorrente de resgates, como é o caso de Guarujá.
Fontes: brasilemfolhas.com.br

