No cenário atual, Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, permite contextualizar uma transformação que vinha sendo gestada há décadas e que hoje se impõe como tendência irreversível: a forma como cemitérios são projetados deixou de ser uma questão puramente funcional para se tornar um exercício de arquitetura, paisagismo e experiência humana. Espaços que antes se resumiam a alinhamentos de jazigos e corredores estreitos passaram a incorporar vegetação planejada, iluminação natural, áreas de contemplação e circulação pensada para o conforto das famílias, refletindo uma mudança profunda na relação da sociedade com a memória e o luto.
Como o paisagismo pode transformar a visitação em cemitérios em experiências mais agradáveis?
A presença de áreas verdes amplas, lagos artificiais, trilhas e bancos de descanso deixou de ser um diferencial estético isolado para se tornar parte essencial do projeto. Famílias que antes encaravam a visita a um cemitério como um momento de desconforto passaram a frequentar espaços que se assemelham a parques urbanos, com sombreamento natural, trajetos acessíveis e ambientes que favorecem a permanência prolongada sem a sensação de angústia que marcava os modelos tradicionais.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla na arquitetura paisagística brasileira, que passou a valorizar o uso de espécies nativas, sistemas de drenagem sustentáveis e a criação de microclimas agradáveis, mesmo em regiões de calor intenso. Em paralelo, a ampliação dos espaços de convivência dentro dos cemitérios-parque criou um novo tipo de relação entre visitante e ambiente, menos solene e mais contemplativa, elucida Tiago Oliva Schietti.
A evolução desses projetos não se limita à estética, mas envolve também a logística de manutenção, o manejo hídrico e a integração com o entorno urbano, elementos que exigem planejamento técnico tão rigoroso quanto o de qualquer empreendimento de grande porte.
De que maneira a escolha de materiais naturais pode influenciar o acolhimento em espaços memorialísticos?
A arquitetura cemiterial contemporânea passou a tratar cada estrutura como parte de uma narrativa simbólica. Capelas, mausoléus e jardins de memória são projetados para comunicar acolhimento, e não apenas solenidade, frisa Tiago Oliva Schietti. Materiais como pedra natural, madeira certificada e vidro translúcido têm sido utilizados para criar ambientes que equilibram formalidade e leveza, evitando a frieza associada aos modelos arquitetônicos do século passado.
Segundo análise de mercado realizada por entidades do setor, como a Acembra, a profissionalização dos projetos arquitetônicos cemiteriais tem impulsionado investimentos em equipes multidisciplinares, reunindo arquitetos, paisagistas e engenheiros ambientais em um mesmo processo de planejamento. Essa integração permite que cada espaço seja concebido considerando não apenas a estética, mas também a durabilidade das estruturas e o impacto ambiental das obras.
A criação de espaços memorialísticos individualizados, capazes de abrigar homenagens personalizadas, também ganhou força. Jardins temáticos, áreas reservadas para cerimônias específicas e estruturas modulares que permitem adaptação ao longo do tempo demonstram como a flexibilidade se tornou um critério tão relevante quanto a beleza visual.

Sustentabilidade e contato com a natureza: cemitérios-parque se tornam áreas multifuncionais
A consolidação dos cemitérios-parque como modelo predominante em grandes centros urbanos revela uma mudança na relação entre cidade e espaço fúnebre. Diferentemente dos cemitérios tradicionais, frequentemente cercados por muros altos e isolados do tecido urbano, os cemitérios-parque buscam dialogar com o entorno, funcionando como áreas verdes que contribuem para a qualidade ambiental da região.
Esse modelo também responde a uma demanda crescente por planejamento urbano sustentável. Cidades que enfrentam limitações de espaço passam a considerar cemitérios-parque como áreas multifuncionais, capazes de absorver água da chuva, reduzir ilhas de calor e oferecer contato com a natureza em regiões densamente povoadas.
A integração com o urbanismo exige, ainda, atenção a aspectos como acessibilidade, mobilidade e segurança. Projetos recentes têm priorizado vias internas bem sinalizadas, estacionamentos amplos e acessos facilitados para pessoas com mobilidade reduzida, elementos que reforçam o caráter inclusivo desses espaços.
Tiago Oliva Schietti salienta que esse diálogo entre cemitérios-parque e planejamento urbano tende a se aprofundar à medida que as cidades brasileiras buscam soluções mais integradas para o uso do solo, especialmente em regiões metropolitanas onde a disputa por espaço se torna cada vez mais acirrada.
Valorização de espaços memorialísticos cresce em resposta à busca por experiências humanizadas
A tendência observada nos últimos anos indica que a valorização da arquitetura cemiterial deve se aprofundar, impulsionada tanto pela busca das famílias por experiências mais humanizadas quanto pela necessidade de otimização de recursos por parte das empresas administradoras. Projetos que conciliam estética, funcionalidade e sustentabilidade tendem a se tornar referência para novos empreendimentos.
Tiago Oliva Schietti aparece, nesse contexto, como uma figura associada à compreensão técnica dessas transformações, contribuindo para que o debate sobre arquitetura cemiterial avance com base em informação qualificada e não apenas em percepções superficiais sobre o tema.
À medida que a sociedade brasileira amplia sua relação com práticas de memorialização mais elaboradas, é provável que novos projetos incorporem tecnologia, sustentabilidade e design contemporâneo em proporções ainda maiores, consolidando definitivamente a arquitetura como elemento central do setor funerário.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

