O estado do Rio de Janeiro criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá, unidade de conservação com aproximadamente 3 mil hectares de ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos. A área está localizada na zona oeste da capital fluminense e se estende da ilhota do Frade, em Guaratiba, até a Pedra do Pontal, no Recreio.
A criação da reserva pretende combinar a proteção dos ecossistemas costeiros com a continuidade de atividades econômicas tradicionais. Entre elas está a pesca artesanal, praticada por comunidades que dependem dos recursos do mar. A proposta também prevê condições para o desenvolvimento de turismo sustentável e de visitação organizada na região.
As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, que informou que a unidade foi criada durante a semana de 12 a 17 de outubro de 2026. O conteúdo publicado não apresenta o número do decreto ou da resolução responsável pela criação nem detalha, neste momento, todas as regras de uso da área.
Área reúne biodiversidade marinha e importância para a pesca
A região protegida abriga espécies de interesse ecológico e econômico, como garoupas, corvinas, sargos, robalos e xaréus. Esses peixes fazem parte da biodiversidade costeira e também têm relação com a atividade pesqueira desenvolvida no litoral do Rio de Janeiro.
O espaço é frequentado ainda por animais ameaçados ou protegidos. Entre eles estão as baleias-jubarte e as tartarugas-marinhas, além de aves como o trinta-réis-de-bico-vermelho. A presença dessas espécies reforça a importância de medidas voltadas à conservação dos ambientes marinhos, dos costões e das ilhas que integram a área.
O nome Urupirá tem origem indígena e está associado à expressão “cesto do peixe”. A denominação resgata a identidade pesqueira do território e relaciona a nova unidade de conservação à história das comunidades que utilizam o mar como fonte de trabalho e subsistência.
Como a reserva pretende conciliar conservação e atividade econômica
Uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável tem como proposta compatibilizar a preservação ambiental com a permanência de modos de vida tradicionais. No caso da Urupirá, a intenção é proteger os recursos naturais sem afastar os pescadores artesanais da área onde desenvolvem suas atividades.
Entre as ações previstas estão o monitoramento participativo dos recursos pesqueiros, a realização de pesquisas científicas e atividades de educação ambiental. A fiscalização também deverá ser reforçada, com o objetivo de acompanhar o uso do espaço e contribuir para a conservação da fauna e dos habitats costeiros.
O monitoramento participativo pode aproximar as comunidades das decisões sobre a unidade, já que o conhecimento acumulado pelos pescadores ajuda a identificar mudanças na ocorrência de espécies e nas condições do mar. A pesquisa científica, por sua vez, pode ampliar a compreensão sobre a biodiversidade local e orientar medidas de manejo.
Turismo sustentável e visitação ordenada no litoral
A criação da reserva também abre espaço para atividades de turismo sustentável e visitação ordenada. A área reúne paisagens formadas por mar aberto, ilhas e costões rochosos, elementos que podem atrair visitantes interessados em conhecer o litoral da zona oeste do Rio de Janeiro.
O uso turístico, porém, deverá estar associado à proteção ambiental. A organização da visitação é importante para reduzir impactos sobre os animais, evitar danos aos habitats e preservar a qualidade da experiência para moradores, pescadores e turistas. As regras específicas para esse uso ainda dependem da regulamentação e da definição dos instrumentos de gestão da unidade.
Para quem vive ou visita Guaratiba e o Recreio, a reserva representa uma mudança na forma de administrar uma área costeira extensa e ambientalmente relevante. A medida pode contribuir para dar visibilidade à pesca artesanal, fortalecer ações de conservação e orientar futuras atividades de lazer no mar, desde que a proteção dos ecossistemas permaneça como referência central.
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá passa, assim, a integrar a estratégia de proteção do litoral fluminense. O principal desafio será transformar a criação da unidade em ações permanentes de fiscalização, pesquisa, educação ambiental e participação comunitária, mantendo o equilíbrio entre biodiversidade, trabalho tradicional e visitação.

