Participação da sociedade civil começa nesta segunda-feira e pode influenciar decisões sobre preservação, turismo e ocupação da costa paulista.
O litoral de São Paulo entra nesta segunda-feira (14) em uma nova etapa de participação política ligada diretamente ao futuro das praias, dos manguezais, da Mata Atlântica e das cidades costeiras. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado abriu o processo de eleição dos representantes da sociedade civil no Gerenciamento Costeiro do Litoral Norte, conhecido como Gerco, para o biênio 2027-2029. As inscrições começam em 14 de setembro e seguem até 16 de outubro de 2026.
Embora o tema pareça distante da rotina de quem vai à praia, a discussão tem impacto direto sobre moradores, empresários, turistas, surfistas e comunidades tradicionais. O Gerco trabalha justamente na gestão integrada da zona costeira, onde decisões sobre ocupação urbana, conservação ambiental, turismo e uso dos recursos naturais precisam considerar a relação entre mar e território.
Por que essa eleição importa para quem vive ou visita o litoral
O Gerco não é apenas um espaço burocrático de reuniões. O gerenciamento costeiro reúne instrumentos destinados a organizar o uso de uma faixa do território que concentra praias, áreas de preservação, atividades econômicas, moradias e equipamentos turísticos. No litoral paulista, essa tarefa ganha importância porque os ambientes costeiros são frágeis e sofrem pressão simultânea de urbanização, turismo, mudanças climáticas e ocupação desordenada. A própria Secretaria estadual destaca que a zona costeira de São Paulo reúne ambientes complexos resultantes da interação entre terra, mar e atmosfera.
Para o visitante, isso pode parecer um assunto distante até o momento em que uma decisão pública muda o acesso a uma área, estabelece regras para determinada ocupação ou influencia a proteção de uma praia. Para quem mora no litoral, o efeito pode ser ainda mais cotidiano, alcançando questões relacionadas à infraestrutura, saneamento, preservação de ecossistemas e desenvolvimento econômico. A participação da sociedade civil, portanto, ajuda a colocar diferentes interesses na mesma mesa e pode ampliar o debate sobre qual modelo de litoral São Paulo deseja construir nos próximos anos.
Turismo, praias e preservação precisam caminhar juntos
O desafio político do litoral está justamente em equilibrar desenvolvimento e conservação. Uma praia bem cuidada é um patrimônio ambiental, mas também movimenta restaurantes, hotéis, comércio, transporte, atividades náuticas e serviços que sustentam milhares de pessoas. Quando o planejamento considera apenas a expansão urbana ou apenas a preservação isoladamente, podem surgir conflitos difíceis de administrar. O Gerco busca uma abordagem integrada para que as políticas públicas considerem a realidade da zona costeira como um conjunto.
Esse planejamento também conversa com a política nacional de turismo. O Ministério do Turismo prevê entre as possibilidades de infraestrutura turística a urbanização de orlas marítimas, além de projetos ligados a saneamento, drenagem, acessibilidade, ciclovias, sinalização e estruturas de interesse turístico. A política federal estabelece, ao mesmo tempo, que projetos precisam considerar aspectos ambientais e de sustentabilidade. Assim, decisões tomadas hoje sobre a ocupação das cidades litorâneas podem influenciar não apenas a paisagem, mas também a experiência do turista e a qualidade de vida de quem vive perto do mar.
O que moradores e turistas devem acompanhar daqui para frente
O processo eleitoral do Gerco Litoral Norte começa justamente em um momento em que temas como erosão costeira, mudanças climáticas e conservação ganham espaço no debate público. Em Paulista, Pernambuco, por exemplo, uma atividade realizada recentemente reuniu representantes do turismo sustentável para discutir erosão, alterações climáticas e conservação da vida marinha, além do monitoramento de tartarugas marinhas. Os exemplos mostram que a política costeira já ultrapassou a discussão sobre simplesmente construir ou não construir: hoje envolve também como adaptar cidades e atividades econômicas às transformações ambientais.
Para quem frequenta o litoral paulista, vale acompanhar as decisões dos órgãos responsáveis pelo gerenciamento costeiro e observar como novas políticas afetam praias, áreas naturais, mobilidade e infraestrutura. A participação social também é importante porque o conhecimento de moradores, trabalhadores do turismo, pesquisadores e organizações ambientais pode revelar problemas que nem sempre aparecem nos mapas ou documentos técnicos. No caso do Gerco Litoral Norte, a inscrição das entidades da sociedade civil começa em 14 de setembro, e o processo definirá os representantes que participarão do colegiado no próximo biênio.
O futuro das praias não é decidido somente quando uma obra começa ou quando uma nova regra é publicada. Ele também é construído em conselhos, processos participativos e instrumentos de planejamento que definem como o território costeiro será utilizado. Por isso, a eleição do Gerco Litoral Norte merece atenção de quem vive em cidades como Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, além de quem visita a região em busca de mar, natureza e turismo.
Para o amante do litoral, a principal mensagem é simples: preservar a praia também é uma decisão política. Quanto maior a participação de moradores e setores ligados ao turismo, ao meio ambiente e à economia local, maiores são as chances de que o planejamento considere as necessidades reais da costa. No fim das contas, cuidar do litoral significa proteger simultaneamente a natureza, a economia e o direito de aproveitar o mar de forma responsável.
Fontes:
Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo — Gerco Litoral Norte
Ministério do Turismo — Portaria MTur nº 26/2026
. Prefeitura do Paulista — erosão costeira, mudanças climáticas e conservação das praias

