Proposta prevê inicialmente uma rota ligando Praia Grande, São Vicente, Santos e Guarujá e integração com ônibus e VLT; projeto ainda está em fase de estudos e dependerá de análises de viabilidade e articulação com outras prefeituras e o Governo de São Paulo.
Uma nova alternativa para os deslocamentos entre as cidades do litoral paulista começou a ganhar espaço nas discussões sobre mobilidade regional. A Prefeitura de Praia Grande está avaliando um projeto de transporte público aquaviário de passageiros que poderia conectar municípios da Baixada Santista utilizando rios, canais e braços de mar da região. (Praia Grande)
A proposta foi apresentada durante reunião entre o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, e representantes da SP-Hidro S.A. O encontro ocorreu na sexta-feira (7), e as informações sobre o estudo foram divulgadas pela prefeitura na terça-feira (11) e repercutidas nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026. (Praia Grande)
O projeto ainda não significa que barcos começarão a transportar passageiros imediatamente. Neste momento, trata-se de um estudo de viabilidade, que precisará avaliar demanda, infraestrutura, condições dos cursos d’água, integração com outros transportes e custos necessários para implantação. (BS9)
Qual seria a rota do transporte aquaviário?
A configuração preliminar prevê que a rota tenha início em Praia Grande, nas proximidades do Terminal Tude Bastos, seguindo posteriormente por São Vicente, Santos e Guarujá. (Praia Grande)
A ideia é transformar o transporte pela água em uma alternativa para viagens intermunicipais. Em vez de substituir ônibus, VLT ou outros meios de transporte, o novo sistema seria pensado para funcionar de maneira integrada.
Essa característica é particularmente importante porque milhares de moradores se deslocam diariamente entre municípios da Baixada Santista para trabalhar, estudar, utilizar serviços públicos ou realizar outras atividades.
O projeto também considera a integração com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Atualmente, o transporte metropolitano da Baixada já possui sistemas de integração entre determinadas linhas de ônibus e o VLT. (EMTU São Paulo)
Por que Praia Grande está estudando o projeto?
O crescimento urbano e populacional é uma das justificativas apresentadas para procurar novas alternativas de mobilidade.
Praia Grande vem discutindo maneiras de melhorar sua ligação com as demais cidades da região. A expansão física das vias terrestres encontra limitações características de uma região metropolitana costeira e densamente urbanizada.
Segundo a apresentação feita pela SP-Hidro, fatores como adensamento populacional, dificuldade para ampliar o sistema viário e necessidade de criar novas opções de deslocamento tornam a Baixada Santista uma região que merece avaliação prioritária para esse tipo de transporte. (BS9)
A discussão sobre transporte aquaviário na região, entretanto, não é completamente nova. Estudos acadêmicos anteriores já analisaram a possibilidade de ampliar o transporte hidroviário de passageiros para outros municípios da Baixada, aproveitando sua extensa rede hidrográfica. (Files Server)
Projeto prevê embarcações mais sustentáveis
Outro ponto apresentado é a utilização gradual de tecnologias de menor impacto ambiental.
A SP-Hidro apresentou o chamado SISPAE — Sistema de Transporte Público Aquaviário Elétrico de Passageiros, projeto que contempla municípios de diferentes regiões brasileiras e já foi apresentado ao Governo Federal. (Praia Grande)
A implantação poderia começar, segundo a proposta apresentada, com embarcações movidas por combustíveis renováveis e de baixa emissão de poluentes.
Posteriormente, com a infraestrutura necessária disponível, o sistema poderia avançar para embarcações elétricas, buscando eliminar as emissões de gases de efeito estufa durante a operação. (BS9)
A mudança seria especialmente relevante em uma região onde transporte, atividade portuária e circulação rodoviária possuem forte peso econômico.
Rios e braços de mar precisarão de intervenções
Antes que qualquer operação comece, porém, existem desafios técnicos.
O estudo prevê a necessidade de limpeza de determinados trechos de rios e braços de mar para tornar possível a circulação das embarcações. (Praia Grande)
Também será necessário definir pontos adequados para embarque e desembarque, condições de segurança, acessibilidade e conexão com os sistemas terrestres.
A proximidade do Terminal Tude Bastos aparece como estratégica justamente pela possibilidade de integração entre diferentes modalidades de transporte.
A localização também pode ganhar ainda mais importância caso outros projetos de mobilidade avancem. Praia Grande já mantém discussões sobre uma futura extensão do VLT até o Terminal Tude Bastos. (Metrô CPTM)
Projeto pode ligar ônibus, VLT e barcos
Se os diferentes projetos avançarem, o objetivo seria criar uma rede em que o passageiro pudesse combinar vários meios de transporte durante o mesmo deslocamento.
Um morador poderia, por exemplo, utilizar transporte municipal até um terminal, seguir por uma ligação aquaviária e posteriormente utilizar VLT ou ônibus para chegar ao destino final.
Entretanto, detalhes fundamentais como tarifa, frequência das embarcações, duração das viagens e modelo de integração tarifária ainda não foram definidos publicamente nas informações divulgadas sobre o estudo.
Portanto, ainda não é possível afirmar quanto uma passagem custaria nem quando o sistema começaria a operar.
Projeto precisará envolver outras cidades
Por atravessar diferentes municípios, a iniciativa não poderá depender exclusivamente de Praia Grande.
A prefeitura pretende reunir informações sobre as principais necessidades de deslocamento dos moradores e utilizar esses dados para aprofundar a proposta. Depois disso, a intenção é conversar com os demais prefeitos da Baixada Santista. (Praia Grande)
Caso seja estruturado um projeto considerado consistente, o próximo passo será apresentá-lo ao Governo do Estado de São Paulo, segundo a administração municipal. (Jornal da Orla)
Esse processo será importante porque mobilidade metropolitana exige articulação entre municípios e diferentes níveis do poder público.
Além disso, questões ambientais e de infraestrutura deverão ser consideradas antes de qualquer implantação definitiva.
Quando o transporte aquaviário começará a funcionar?
Ainda não existe uma data anunciada para início da operação.
Essa é uma distinção importante: a notícia divulgada em 12 de agosto trata da apresentação e aprofundamento de um estudo, e não da contratação ou inauguração de um novo serviço. (BS9)
Nas próximas etapas, será necessário verificar se a rota proposta é tecnicamente viável, qual seria a demanda de passageiros, quais intervenções seriam necessárias e como o sistema poderia ser financiado e integrado ao transporte existente.
Somente depois dessas análises será possível saber se a ideia poderá efetivamente sair do papel.
Transporte pela água pode mudar mobilidade da Baixada
Mesmo em estágio inicial, a proposta chama atenção porque aproveita uma característica geográfica evidente da Baixada Santista: a presença de canais, rios, estuários e braços de mar entre áreas densamente urbanizadas.
Utilizar essas vias para transporte coletivo poderia criar caminhos alternativos aos corredores terrestres já utilizados diariamente por carros e ônibus.
Ao mesmo tempo, a viabilidade dependerá de fatores técnicos, ambientais e financeiros que ainda precisam ser estudados. O projeto também terá que demonstrar que consegue oferecer tempo de viagem, frequência e preço competitivos para atrair passageiros.
Por enquanto, a principal novidade desta quarta-feira, 12 de agosto, é que Praia Grande colocou oficialmente essa alternativa em discussão. A rota preliminar Praia Grande–São Vicente–Santos–Guarujá pode se tornar uma nova opção de mobilidade regional, mas ainda existe um caminho de estudos e decisões públicas antes de qualquer barco começar a transportar passageiros. (Praia Grande)
Fonte:
Prefeitura de Praia Grande — proposta de transporte aquaviário

