O litoral paulista aparece com destaque em um dos principais levantamentos sobre infraestrutura básica do Brasil.
De acordo com dados recentes do setor, a região concentra parte relevante dos recursos direcionados à universalização do saneamento em todo o estado. No Litoral Norte, os investimentos previstos somam R$ 500 milhões, além de R$ 2,4 bilhões destinados à resiliência hídrica, incluindo obras como a interligação Billings-Taiaçupeba. Esse volume de recursos reflete uma mudança de ritmo que já vem sendo sentida em diferentes municípios costeiros.
O caso mais emblemático dessa transformação está na Baixada Santista. Praia Grande se destaca como a cidade com o maior investimento em saneamento básico por habitante no Brasil, com aplicação de R$ 572,87 por residente, montante 322% superior à média nacional entre as 100 maiores cidades do país, que registrou R$ 135,89. Os números fazem parte de um ranking nacional de referência no setor. Os dados constam no ranking do Saneamento 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil com base nos resultados de 2024.
O que explica o salto nos investimentos
Esse avanço tem uma origem clara: a mudança na gestão da companhia responsável pelo abastecimento no estado. O estado de São Paulo apresenta uma expansão nos aportes financeiros após a desestatização da Sabesp, processo que reorganizou a forma como os recursos são captados e aplicados nas obras de água e esgoto. Segundo os dados mais recentes, o crescimento no volume de investimentos foi expressivo. Em 2025, os aportes financeiros aplicados pela Sabesp atingiram a marca de R$ 15,2 bilhões, um salto de 120% em comparação aos R$ 6,9 bilhões investidos no ano anterior.
Esse ritmo também se manteve nos meses mais recentes de 2026. Os investimentos em saneamento básico no estado de São Paulo cresceram 31% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando R$ 3,7 bilhões no período. Parte considerável desses recursos tem como destino justamente a faixa litorânea. A Baixada Santista concentra grande parte desses recursos, refletindo diretamente na qualidade dos serviços prestados à população costeira.
A meta de antecipar a universalização
O objetivo por trás desse esforço é ambicioso: entregar água tratada e coleta de esgoto para praticamente toda a população paulista antes do prazo legal. O plano prevê R$ 70 bilhões aplicados até 2029, com meta de antecipar a universalização para 2029, quatro anos antes do prazo previsto pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Esse número integra um planejamento ainda mais amplo para as próximas décadas. A ampliação integra o Plano Regional de Saneamento Básico, que prevê investimentos de R$ 260 bilhões até 2060 pela Sabesp.
Os indicadores de execução das metas já mostram avanço consistente. O balanço apresentado pela Sabesp mostra que a meta para o período de 2024 a 2026 já alcança 87% para água, 77% na coleta de esgoto e 71% no tratamento. Isso significa que a maior parte da estrutura básica já está funcionando, restando concluir as etapas mais complexas de tratamento em regiões de maior desafio geográfico, como partes do litoral com relevo acidentado e ocupação irregular.
Impacto direto para famílias de baixa renda
Um dos efeitos mais sensíveis desse pacote de investimentos aparece na ampliação da tarifa social, voltada a famílias em situação de maior vulnerabilidade. O número de economias atendidas pela tarifa social cresceu para 2,05 milhões em março de 2026, um crescimento de 106% em relação ao 1,05 milhão de famílias beneficiadas até a desestatização. Essa expansão é especialmente relevante em comunidades litorâneas mais afastadas dos centros urbanos, onde historicamente o acesso a serviços básicos de saneamento era mais limitado.
A companhia responsável pela execução das obras opera em escala estadual e atende diretamente milhões de pessoas. A Sabesp é responsável pelo fornecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 375 municípios paulistas, com atendimento a 28 milhões de habitantes. Além das obras de expansão, a companhia também investe em ações de acompanhamento técnico e transparência sobre o andamento das entregas.
Estrutura de monitoramento das obras
O governo estadual criou um programa específico para acompanhar de perto a evolução das intervenções em andamento. O programa Na Rota da Água inclui visitas técnicas e acompanhamento de mais de 1.100 frentes de obras, o que permite maior controle sobre prazos e qualidade das entregas em diferentes regiões do estado, incluindo os municípios litorâneos que recebem parte importante dos recursos anunciados.
Para o litoral, especificamente, os próximos anos devem consolidar uma mudança estrutural na relação entre infraestrutura urbana e crescimento turístico. Cidades que dependem fortemente do fluxo de visitantes durante o verão enfrentam historicamente uma pressão adicional sobre suas redes de água e esgoto justamente nos períodos de maior movimento. Com a aceleração dos investimentos, a expectativa das prefeituras é reduzir esse gargalo e evitar problemas recorrentes de abastecimento e tratamento durante a alta temporada.
Fontes:
https://www.correiodamanha.com.br/nacional/sao-paulo/estado-de-sao-p
https://www.agenciasp.sp.gov.br/saneamento-basico-avanca-em-sao-paulo-com-aumento-de-31-nos-investimentos/

