Um terço da Câmara Municipal santista deixa os mandatos para tentar cadeiras na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional
A corrida eleitoral de 2026 já deixa marcas na política municipal da Baixada Santista antes mesmo do início oficial da campanha. Levantamento recente aponta que pelo menos 18 vereadores da região estão concorrendo a vagas de deputado federal ou estadual, um movimento que reorganiza a correlação de forças nas câmaras municipais e amplia a projeção política da região no cenário estadual.
Do total de candidaturas, seis vereadores miram uma cadeira na Câmara dos Deputados e outros 12 disputam vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Santos é a cidade que mais contribui para esse número: dos 21 integrantes da Câmara Municipal, sete decidiram tentar o salto para Brasília ou para o Legislativo estadual, o equivalente a um terço do plenário.
Quem são os principais nomes
Entre os candidatos santistas, dois disputam vaga de deputado federal e cinco tentam uma cadeira na Alesp. Pelo PL, o vereador Marcelo Cruz concorre à Câmara Federal, enquanto Eduarda Campopiano tenta o mandato estadual pela mesma legenda. Já o PT tem Marcos Caseiro na disputa pela Câmara dos Deputados e Chico do Settaport na corrida pela Assembleia Legislativa, formação que espelha a polarização observada em outras regiões do estado.
O Podemos aparece como o partido com maior número de vereadores candidatos na Baixada Santista, somando seis nomes na disputa. Em seguida vêm PL e PT, empatados com duas candidaturas cada, refletindo o peso das duas siglas nas eleições presidenciais mais recentes e sua capilaridade também no plano municipal.
O que acontece com as vagas na Câmara
A movimentação de vereadores para cargos estaduais e federais tem efeito direto sobre a composição das câmaras municipais. Caso algum deles seja eleito deputado e assuma o novo mandato em 2027, a cadeira deixada na Câmara será ocupada pelo suplente do partido ou da federação correspondente, conforme a legislação eleitoral e o resultado da eleição municipal de 2024.
Se, por outro lado, o vereador candidato não for eleito para o cargo estadual ou federal, ele permanece normalmente em seu mandato municipal, sem qualquer alteração na composição atual do Legislativo local. Essa regra permite que os candidatos mantenham a base política e o contato com o eleitorado durante toda a campanha, sem abrir mão do cargo atual até a definição do resultado nas urnas.
Por que tantos vereadores decidem migrar
Especialistas em política regional apontam que vereadores que já possuem estrutura local, contato direto com eleitores e histórico de atuação em pautas municipais tendem a enxergar nas eleições proporcionais uma oportunidade de ampliar sua influência. Ao transformar capital político acumulado nos bairros em votos para cargos de maior alcance, esses candidatos também reforçam a presença da Baixada Santista nos debates estaduais e federais, historicamente marcada por sub-representação frente a outras regiões do estado.
A disputa ocorre pelo sistema proporcional, no qual o desempenho de partidos e federações em todo o território paulista interfere diretamente na definição de quem é eleito, e não apenas a votação individual de cada candidato. Isso significa que, mesmo com boa votação pessoal, um candidato depende do resultado do conjunto da legenda para efetivamente assumir o cargo.
Temas que devem dominar a campanha na região
Questões regionais devem pautar boa parte dos debates até outubro, entre elas investimentos em saúde, mobilidade urbana, segurança pública, habitação, desenvolvimento do Porto de Santos, turismo e preservação ambiental, temas recorrentes nas plataformas de campanha de quem disputa vaga pela Baixada Santista há décadas.
A quantidade elevada de candidaturas locais também reacende o debate sobre pulverização de votos, um dos principais obstáculos para que a região amplie sua bancada na Alesp e na Câmara Federal, já que o grande número de nomes concorrendo pode dividir o eleitorado entre diferentes candidatos de uma mesma base, dificultando a eleição de qualquer um deles isoladamente.
O que esperar até as eleições
Com o fim das convenções partidárias e a oficialização das candidaturas em andamento, a expectativa é que o número de vereadores concorrendo a cargos estaduais e federais possa aumentar ligeiramente até o fechamento definitivo das chapas. A lista oficial de candidatos, partidos e números de urna pode ser consultada diretamente nos canais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para os moradores da Baixada Santista, o desfecho da disputa definirá não apenas quem representará a região em Brasília e em São Paulo pelos próximos quatro anos, mas também o desenho das câmaras municipais a partir de 2027, caso as vagas deixadas pelos vereadores eleitos sejam ocupadas por seus suplentes.
Fontes:
https://santaportal.com.br/baixada/baixada-santista-tem-18-vereadores-candidatos-a-vagas-de-deputado/
https://www.cbnsantos.com.br/noticias/noticias/baixada-santista-tem-18-vereadores-candidatos-a-deputado-nas-eleicoes-de-2026.html
https://www.plantaoguaruja.com.br/noticia/baixada-santista-tem-18-vereadores-candidatos-a-vagas-de-deputado

