Da consulta à balneabilidade em smartphone ao monitoramento de recifes por drones, ferramentas digitais e científicas estão mudando a relação entre turistas, pesquisadores e o mar.
Quem vai à praia hoje com um smartphone no bolso tem acesso a um volume de informações sobre o litoral que seria impensável há dez anos. A tecnologia chegou ao turismo litorâneo pelo lado mais prático: aplicativos de previsão do tempo com detalhamento de ventos e ondas por hora, plataformas de hospedagem com avaliações em tempo real, sistemas de navegação que indicam rotas para praias menos conhecidas e, cada vez mais, ferramentas que informam a balneabilidade da praia antes mesmo de o turista chegar ao estacionamento. Esse conjunto de recursos digitais transformou profundamente a forma como os brasileiros planejam e vivenciam suas escapadas ao litoral.
A balneabilidade, historicamente um dado acessível apenas para quem sabia buscar nos sites dos órgãos ambientais estaduais, já começa a aparecer de forma mais direta em aplicativos de turismo e praias. Iniciativas públicas e privadas têm trabalhado para integrar dados da CETESB em São Paulo, da FEPAM no Rio Grande do Sul e de equivalentes estaduais em plataformas que o turista já usa cotidianamente, eliminando o passo a mais que muitos simplesmente pulavam. Com base em dados de órgãos ambientais de 13 estados, foi possível fazer um levantamento de mais de 500 praias brasileiras quanto à sua balneabilidade. O desafio agora é tornar esses dados acessíveis em tempo real para o celular de quem está decidindo onde mergulhar. Terra
Monitoramento ambiental com tecnologia de ponta
Além do uso pelo turista, a tecnologia está presente de forma crescente no monitoramento científico do litoral. Drones equipados com câmeras e sensores de temperatura mapeiam recifes de coral, identificam manchas de algas nocivas e monitoram áreas de desova de tartarugas marinhas com uma precisão impossível de alcançar com mergulhadores humanos. Satélites de observação da Terra fornecem dados sobre a temperatura superficial do mar, a turbidez da água e o avanço de manchas de esgoto, permitindo que pesquisadores e órgãos ambientais identifiquem fontes de poluição com muito mais rapidez do que os métodos tradicionais de coleta e análise laboratorial.
No Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, e em universidades como a UFSC, a UFPR e a UERJ, grupos de pesquisa utilizam sensoriamento remoto por satélite para acompanhar a evolução da linha de costa brasileira, que sofre com erosão em diversos pontos do litoral sul e sudeste. A combinação de mudanças climáticas, que elevam o nível do mar e aumentam a intensidade de tempestades, com a impermeabilização do solo nas cidades costeiras cria um cenário de erosão acelerada que ameaça infraestrutura, imóveis e praias inteiras. Ter dados precisos sobre onde e como a erosão avança é o pré-requisito para planejar intervenções de proteção costeira eficazes.
Como o turista usa tecnologia para planejar melhor a viagem
Para aproveitar melhor os destinos de piscinas naturais, como Maragogi e Carneiros, especialistas recomendam planejar as visitas pelo horário de maré mínima. Em destinos como Jericoacoara, os ventos de julho a novembro favorecem os esportes a vela. Aplicativos de tábua de marés, amplamente disponíveis gratuitamente para Android e iOS, são ferramentas indispensáveis para quem visita praias com recifes de coral, piscinas naturais ou pontos de surf que dependem de condições específicas de maré e swell. Sites especializados em previsão de ondas, como o Surf Report e o Windguru, são usados por surfistas e praticantes de esportes náuticos para escolher o melhor dia e horário para ir ao mar. Socialsistems
O turismo de observação de baleias no litoral sul do Brasil, especialmente no sul de Santa Catarina entre julho e novembro, ganhou novo impulso com aplicativos que permitem que os próprios turistas registrem avistamentos geolocalizados, contribuindo para bancos de dados científicos sobre rotas migratórias de baleias-franca. Esse modelo de ciência cidadã, onde o turista se torna colaborador de pesquisa sem precisar ter formação especializada, tem crescido no litoral brasileiro como uma forma de engajar visitantes no cuidado com o ambiente marinho.
Inovação no turismo costeiro e os desafios de conectividade
Apesar do avanço, há um gargalo que a tecnologia litorânea ainda enfrenta no Brasil: a cobertura de internet móvel cai de forma abrupta em muitos dos destinos mais preservados e mais desejados do litoral. Praias acessíveis apenas por trilha ou barco, arquipélagos como Fernando de Noronha e destinos remotos no litoral norte da Bahia e do Pará têm conectividade limitada ou inexistente, o que impede o uso em tempo real das ferramentas digitais disponíveis. Isso obriga os turistas a baixar mapas, tábuas de maré e informações de segurança antes de partir, mas também preserva nesses destinos uma desconexão que muitos visitantes buscam ativamente.
A recomendação de checar a sazonalidade de chuvas por região, o índice de lotação de cada praia e, para locais com piscinas naturais, planeja as visitas pelo horário de maré mínima continua valendo como conselho básico que a tecnologia ajuda a tornar mais fácil de executar. Plataformas como o Google Maps já incluem informações sobre horários de lotação de praias, baseadas em dados anônimos de localização dos usuários, o que permite identificar os momentos de menor movimento para uma visita mais tranquila. Com o avanço das redes 5G e dos satélites de órbita baixa para internet, a conectividade nas áreas costeiras remotas deve melhorar progressivamente nos próximos anos, o que trará novos desafios de gestão para destinos que dependem do isolamento como parte de seu apelo turístico. Socialsistems
Fontes: Terra, Balneabilidade praias brasileiras | Social Sistemas News, praias 2026 | Temporada Verão | Agência Brasil
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

