Educação de Jovens e Adultos (EJA) passou por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente diante do avanço da tecnologia e da transformação do mercado de trabalho. Tradicionalmente associada à retomada dos estudos por pessoas que interromperam a formação escolar, a modalidade agora também se conecta a debates sobre inclusão digital, qualificação profissional e adaptação às novas exigências da sociedade contemporânea.
O tema ganhou ainda mais relevância em um período marcado pela expansão do ensino a distância, pela presença crescente da inteligência artificial na educação e pelas mudanças trazidas pelo Novo Ensino Médio. Para o empresário Sérgio Bento de Araújo, a EJA deixou de ser apenas uma política de compensação educacional e passou a ocupar um papel estratégico na formação de adultos que precisam se reinserir em um mercado cada vez mais tecnológico e competitivo.
Nesse cenário, compreender os desafios e as possibilidades da modalidade se tornou fundamental para pensar o futuro da educação brasileira.
Por que a EJA continua sendo essencial no Brasil?
Mesmo com avanços no acesso à educação básica, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades relacionadas à conclusão dos estudos. Em muitos casos, fatores econômicos, necessidade de trabalhar cedo ou vulnerabilidade social interrompem a trajetória escolar ainda na adolescência.
Segundo Sérgio Bento de Araújo, a Educação de Jovens e Adultos possui importância que vai além da obtenção de certificados. O retorno à escola representa, para muitas pessoas, uma oportunidade de reconstrução profissional e fortalecimento da autoestima. Em diversas situações, concluir os estudos significa ampliar perspectivas de renda, acesso ao mercado formal e participação social.
Existe também um impacto geracional relevante. Adultos que retomam a formação tendem a valorizar mais a educação dentro do ambiente familiar, influenciando diretamente filhos e pessoas próximas. Sob essa perspectiva, a EJA produz reflexos sociais que ultrapassam o espaço escolar e alcançam diferentes dimensões da vida cotidiana.
Outro aspecto importante envolve a transformação tecnológica. Em um mercado impulsionado por automação, inteligência artificial e digitalização de processos, trabalhadores sem formação básica enfrentam dificuldades cada vez maiores para permanecer competitivos profissionalmente.
Como a tecnologia mudou o perfil da Educação de Jovens e Adultos?
A presença da tecnologia na educação alterou significativamente a dinâmica da EJA. Plataformas digitais, ensino híbrido e recursos online passaram a facilitar o acesso ao aprendizado para estudantes que precisam conciliar rotina profissional, família e estudos.
Conforme destaca Sérgio Bento de Araújo, o avanço do ensino a distância ampliou possibilidades para públicos que antes tinham dificuldades de frequentar aulas presenciais diariamente. Em cidades grandes, por exemplo, deslocamentos longos e jornadas de trabalho extensas frequentemente inviabilizavam a continuidade dos estudos. O ambiente digital ajudou a reduzir parte dessas barreiras.

No entanto, a adaptação tecnológica também trouxe desafios importantes. Muitos alunos da EJA possuem pouco contato com ferramentas digitais, o que exige acompanhamento pedagógico específico e estratégias de inclusão tecnológica. Em alguns casos, aprender a utilizar plataformas educacionais se torna parte essencial do próprio processo de alfabetização contemporânea.
A inteligência artificial começa igualmente a ganhar espaço dentro desse contexto. Ferramentas adaptativas conseguem identificar dificuldades individuais e oferecer conteúdos personalizados, permitindo que estudantes avancem em ritmos diferentes. Para uma modalidade marcada pela diversidade de perfis e trajetórias, esse tipo de personalização tende a ganhar relevância nos próximos anos.
O mercado de trabalho exige uma nova formação?
O perfil profissional exigido pelas empresas mudou rapidamente na última década. Competências ligadas à comunicação, interpretação de dados, tecnologia e resolução de problemas passaram a ser valorizadas em praticamente todos os setores da economia.
Na avaliação de Sérgio Bento de Araújo, esse movimento torna a Educação de Jovens e Adultos ainda mais estratégica. Não se trata apenas de concluir etapas escolares pendentes, mas de preparar trabalhadores para uma realidade profissional mais dinâmica e digitalizada. Em muitas áreas, a ausência de formação básica já representa uma limitação importante de empregabilidade.
Dentro desse cenário, cresce o interesse por cursos profissionalizantes integrados à EJA. A combinação entre educação formal e qualificação técnica vem sendo apontada como alternativa eficiente para aumentar oportunidades de inserção no mercado. Áreas ligadas à tecnologia, logística, administração e serviços digitais aparecem entre as mais procuradas.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a necessidade de metodologias mais flexíveis e humanizadas. Muitos estudantes da modalidade carregam históricos de evasão escolar, insegurança acadêmica e dificuldades emocionais relacionadas ao retorno aos estudos. Isso exige ambientes acolhedores e estratégias pedagógicas menos engessadas.
O desafio da permanência ainda preocupa especialistas
Garantir matrícula já não é o único objetivo das políticas educacionais voltadas à EJA. O grande desafio atual está relacionado à permanência dos estudantes até a conclusão da formação. Questões financeiras, responsabilidades familiares e desgaste físico continuam impactando diretamente os índices de evasão escolar.
Sérgio Bento de Araújo observa que programas de apoio, flexibilização curricular e uso inteligente da tecnologia podem ajudar a reduzir esse problema. Ainda assim, a solução depende de políticas públicas consistentes e investimentos contínuos em inclusão educacional.
Existe também uma mudança importante de percepção social. Aos poucos, a Educação de Jovens e Adultos deixa de ser vista como modalidade secundária para ocupar posição mais relevante dentro das discussões sobre desenvolvimento econômico e transformação social.
Educação inclusiva também significa oferecer novas oportunidades
A Educação de Jovens e Adultos continua desempenhando papel fundamental em um país marcado por desigualdades históricas de acesso ao ensino. Em um contexto de rápida transformação tecnológica, a modalidade ganha novos significados e responsabilidades.
Para Sérgio Bento de Araújo, o futuro da EJA dependerá da capacidade de unir inclusão social, inovação pedagógica e formação voltada às demandas contemporâneas. A presença crescente da tecnologia pode ampliar oportunidades, mas apenas se vier acompanhada de políticas educacionais acessíveis e estratégias capazes de atender a diferentes realidades.
Mais do que recuperar trajetórias interrompidas, a EJA passou a representar possibilidade concreta de reinserção social e adaptação profissional em um mundo em constante mudança.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

